Greve de professores tem adesão em 29 instituições federais

Adesão foi em 27 universidades e dois institutos, segundo associação.
Paralisação é por tempo indeterminado.

Do G1, em São Paulo*

Professores de pelo menos 27 universidades federais e de dois institutos federais em 19 estados iniciaram nesta quinta-feira (17) uma greve por tempo indeterminado, segundo a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes). A greve é por tempo indeterminado. Ao todo, 33 campus foram afetados.

A categoria pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

Veja as universidades e institutos federais que têm professores em greve

Universidade Federal do Amazonas (AM)
Universidade Federal de Rondônia (RO)
Universidade Federal Rural do Amazonas (PA)
Universidade Federal do Pará (campus Central e Marabá) (PA)
Universidade Federal do Oeste do Pará (PA)
Universidade Federal do Amapá (AP)
Universidade Federal do Maranhão (MA)
Universidade Federal do Piauí (PI)
Universidade Federal do Semi-Árido (RN)
Universidade Federal da Paraíba (campus João Pessoa, Patos e Cajazeiras (PB)
Universidade Federal de Campina Grande (PB)
Universidade Federal Rural de Pernambuco (PE)
Universidade Federal de Alagoas (AL)
Universidade Federal de Sergipe (SE)
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (MG)
Universidade Federal de Uberlândia (MG)
Universidade Federal de Viçosa (MG)
Universidade Federal de Lavras (MG)
Universidade Federal de Ouro Preto (MG)
Universidade Federal de São João Del Rey (MG)
Universidade Federal do Espírito Santo (ES)
Universidade Federal do Paraná (PR)
Universidade Federal do Rio Grande (RS)
Universidade Federal do Mato Grosso (campus Cuiabá e Rondonópolis (MT)
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RJ)
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (MG)
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (PR)
Instituto Federal do Piauí (PI)
Instituto Federal de Minas Gerais (MG)

Fonte: Andes

No início da noite desta quinta-feira, o Ministério da Educação divulgou uma nota: “O Ministério da Educação informa que as negociações salariais com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) começaram em agosto passado, quando foi acertada a proposição de um reajuste salarial linear de 4%, a partir de março de 2012. Entretanto, diante da lenta tramitação do projeto de lei proposto pela Presidência da República ao Legislativo, o ministro Aloizio Mercadante interferiu diretamente junto a presidenta Dilma Rousseff, no sentido de retirar o PL e transformá-lo em Medida Provisória.

A MP foi assinada na sexta-feira, 11, e publicada no Diário Oficial na segunda, 14, assegurando o reajuste de 4% retroativo ao mês de março, além das gratificações específicas do magistério superior (Gemas) e de atividade docente do ensino básico, técnico e tecnológico (Gedbt).

Com relação ao plano de carreira dos professores e funcionários, a negociação prevê sua aplicação somente em 2013. Os recursos devem ser definidos na LDO até agosto deste ano, o que significa que há prazo e prioridade. As negociações com o Ministério do Planejamento e as representações sindicais seguem abertas”.

Amazonas
Professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) anunciaram na terça-feira (15) que entrariam em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta. O presidente da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Antônio Neto, disse que as atividades no Campus serão mantidas e que docentes vão aproveitar a parte da manhã para passar nas salas e departamentos, com intuito de dialogar sobre a programação e ganhar apoio da comunidade acadêmica do movimento. “A principal intenção não é paralisar e sim fazer uma grande movimentação em todas as unidades, para que todos até mesmo alunos nos apóiem”, disse.

O movimento também deve atingir as unidades acadêmicas da Ufam fora da capital, como Benjamin Constant, Humaitá, Parintins, Coari e Itacoatiara.

Ainda segundo o presidente da Adua, a mobilização tem intuito de ganhar mais adesão ao movimento, o Comando Local de Mobilização, com aproximadamente 20 professores,estão no campus fazendo panfletagem e aviso nas salas.

Distrito Federal
Os professores da Universidade de Brasília (UnB) aprovaram um indicativo de grevedurante assembleia realizada na manhã desta quarta-feira (16). A principal reivindicação da categoria é a reestruturação da carreira dos docentes.

“Nossa greve não tem nada a ver com 4% ou 5%. Nós queremos é a reestruturação da carreira.O governo está fazendo a reestruturação de todos os servidores públicos e nós precisamos nos mover se não quisermos chorar daqui a 10 anos”, disse o presidente da Associação dos Docentes da UnB, Ebenezer Nogueira.

Espírito Santo
As aulas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) foram paralisadasnesta quinta-feira (17). Segundo a Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), acontece às 10h uma assembleia no Campus de Goiabeiras, em Vitória, para definir os rumos do greve dos professores no estado.

A diretora da Adufes, Mariane Lima de Sousa, alega que as principais reivindicações dos professores são a restruturação do plano de carreira dos profissionais e a destinação de 10% do PIB para a educação. “Essa paralisação visa corrigir as distorções na carreira do professor, que, muitas vezes, no final da carreira, acaba recebendo menos que um profissional que acabou de entrar no mercado de trabalho”, disse.

Mariane informou que a Adufes tem um plano para repor todas as aulas após o período de paralisação. Segundo a diretora, o salário de um professor de 20h é de aproximadamente R$ 1,5 mil.

Mato Grosso
Professores da Universidade Federal de Mato Grosso entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (17). A decisão foi tomada durante uma assembleia realizada na última segunda-feira e cerca de 20 mil alunos devem ficar sem aulas.

A paralisação da UFMT faz parte de uma mobilização nacional. Pelo menos 33 sindicatos de instituições, segundo a Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), também devem entrar em greve nesta quinta. Conforme a Adufmat, apenas o campus da UFMT em Rondonópolis não deve participar do movimento.

Minas Gerais
Em Minas, na Universidade Federal de Lavras (Ufla), segundo a assessoria de imprensa, 9 mil alunos estão sem aulas devido à paralisação de cerca de 500 professores. A Ufla tem 30 cursos de graduação (seis deles à distância) e 48 de pós-graduação, 28 de mestrado e 20 de doutorado.

A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) também participa do protesto nacional da categoria. Segundo David Pinheiro Júnior, presidente da Associação dos Docentes da Ufop (Adufop), os grevistas farão, às 15h desta quinta-feira, um ato público no centro de Ouro Preto. Pinheiro Júnior afirmou que os professores farão uma passeata em em direção à reitoria da Ufop para entregar a pauta de reivindicações nacionais ao reitor.

No Sul de Minas, a Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) decidiram aderir à greve nacional da categoria. Na Unifal, será realizada uma manifestação de docentes na tarde desta quinta-feira (17). Alunos de alguns cursos entraram com pedidos para que as aulas não sejam suspensas. Os pedidos serão analisados nos próximos dias.

Na Unifal, apenas os serviços de laboratório e odontologia para o público externo continuam funcionando no campus de Alfenas (MG). Uma reunião com o colegiado está marcada para a próxima segunda-feira (21).

Na Ufla, a greve foi aprovada na assembléia reailzada na última segunda-feira (14). A adesão é de toda a classe. Uma reunião vai avaliar os rumos que o movimento deve tomar. Professores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) decidiram não aderir à greve.

Em Divinópolis, mais de 100 professores aderiram à greve e cerca de 1.300 alunos do campus Dona Lindu da Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ) vão ficar sem aula por tempo indeterminado.

Já em Uberaba, de acordo com a assessoria de comunicação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), os educadores estão em reunião para decidir o comando da greve. A manifestação vai acontecer nesta quinta-feira (17), das 14h às 18h.

Em Uberlândia, segundo a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia (Adufu), mais da metade dos professores aderiu ao movimento. Ainda de acordo com a Adufu, só este ano a categoria fez três paralisações na cidade para chamar a atenção do Governo, que não atendeu as reivindicações da classe que incluem unificação das carreiras com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso salarial de R$ 2.329,35 e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

Os professores da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) também entraram em greve. De acordo com o sindicato que representa os docentes do campus localizado em Diamantina, a maioria da classe aderiu à greve, afetando cerca de 3,5 mil alunos. Dentre as reivindicações estão a melhoria das condições de trabalho e a contratação de professores. A paralisação é por tempo indeterminado, segundo o sindicato.

Já no campus em Teófilo Otoni, os professores estão em estado de greve há dois dias, segundo a Associação dos Docentes do Mucuri. A entidade informou que, nesta terça-feira (22), haverá uma assembleia para decidir sobre a paralisação. Além da pauta unificada, a categoria pede melhorias na estrutura do campus e a contratação de professores. Segundo a associação, o acesso ao campus fica inviável com as chuvas devido à falta de pavimentação. Ele reclama também da falta de restaurante e dormitórios para os alunos.

De acordo com a assessoria da Universidade Federal de Juiz de Fora, os professores vão aderir à mobilização a partir de segunda-feira (21). Mais de 20 mil alunos estudam na universidade. Em Viçosa e São João del Rei, professores também aderiram ao movimento.

Em Belo Horizonte, as aulas foram normais nesta quinta-feira (17) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), segundo a assessoria da universidade. Os docentes são representados pelo Sindicato de Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte e Montes Claros, conhecida como APU-BH. A entidade informou que não está ligada à Andes, que fez a convocação para a greve nacional, e que vai aguardar o governo apresentar uma proposta final para a carreira dos docentes. Caso o prazo seja adiado para depois de 31 de maio ou se a proposta não for satisfatória, a entidade defende a adesão à greve, de acordo com o presidente da APU-BH, José Siqueira.

Pará
Professores da Universidade Federal do Pará realizam ato público a partir das 9h30 desta quinta-feira (28) para marcar o início da greve da categoria. A paralisação pode deixar mais de 30 mil alunos sem aulas.

O movimento pede a ampliação de vagas para concursos públicos, melhorias salariais e mudanças nas condições de trabalho dos professores.

Uma reunião com representantes do governo federal foi agendada para 28 de maio para discutir as reinvidicações.

Paraíba
Professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) aderiram à greve a partir desta quinta-feira. Com a paralisação por tempo indeterminado, 62 mil alunos devem ficar sem aula no estado.

A assessoria de imprensa da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (Adufcg) informou que como a greve tem caráter nacional as reivindicações das instituições são as mesmas. Segundo a assessoria, os professores querem a restruturação da carreira docente, prevista em um acordo firmado em 2011. Os docentes também pleiteiam melhores condições de trabalho e a valorização profissional.

De acordo com a assessoria de imprensa da UFPB, atualmente a instituição tem 42 mil alunos distribuídos nos campi de João Pessoa, Areia, Bananeira, Rio Tinto e Mamanguape. Já a assessoria de imprensa da Adufcg informou que a Universidade Federal de Campina Grande conta com 20 mil alunos.

Paraná
Os professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)decidiram aderir à greve nacional da categoria. Na Universidade para a Integração Latino-Americana (Unila), os professores ainda não decidiram se entrarão em greve. Segundo a presidente da Associação dos Docentes da Unila (Adunila), Gisele Ricobom, os professores da instituição não são filiados à Andes e, por isso, não seguem o mesmo cronograma que a UFPR e a UTFPR.

Ricobom diz que os professores da Unila farão uma assembleia na quinta-feira (24) para definir se param ou não. “Conhecemos as reivindicações da Andes e vamos analisar se aderimos ao movimento ou não. Ainda não é possível afirmar se entraremos ou não em greve”, afirma.

A Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) informou que a orientação dada aos sindicatos locais é para que não haja greve. Com isso, as aulas no Instituto Federal do Paraná (IFPR) também não devem ser afetadas pela paralisação.

Pernambuco
Mais de 15 mil alunos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e quase 5 mil estudantes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)estão sem aulas por tempo indeterminado.

De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Rural (Aduferpe), o professor Cícero Monteiro, a paralisação faz parte de um movimento nacional. “Nosso objetivo maior é conseguir o plano de carreira. Quando o professor entra na universidade, ganha menos que outros técnicos do serviço público. Além disso, vemos grandes distorções na carreira de professor. Queremos estabelecer 13 níveis”, explica Cícero.

O sindicato acredita que tem, pelo menos, 90% de adesão nesse primeiro dia na sede. A paralisação das unidades de Serra Talhada e Garanhuns começou na própria terça-feira (15). “Os problemas lá vão além dos nacionais, são também locais, de estrutura”, detalha o professor.

Os professores da Universidade Federal de Pernambuco decidiram decretar estado de greve por tempo indeterminado em assembleia nesta quinta-feira. A Associação de Docentes da UFPE (Adufepe) informou que 218 professores compareceram à reunião e podiam votar – para a votação ser válida, era preciso que assinassem a ata 10% dos 2.150 docentes, ou seja, 215 pessoas. Entre os presentes, 189 foram a favor da greve, 17 contra e 12 se abstiveram.

Piauí
De acordo com Mário Ângelo de Meneses Sousa, presidente da Associação de Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi), parte das atividades da greve da categoria foram feitas em conjunto com os demais servidores federal, já que nesta quinta-feira acontece o Dia Nacional de Paralisação do Servidor Público Federal.

Os professores da Federal do Piauí se reunião no fim da tarde desta quinta para calcular a adesão dos docentes ao movimento. Segundo Sousa, a UFPI tem 1.460 professores e 25 mil alunos.

Sergipe
Cerca de 250 professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) decidiram deflagrar uma greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (17).

Veja mentiras comuns em currículos e como elas são descobertas

Candidatos costumam mentir sobre formação, cursos e experiência.
Especialistas dizem que existem métodos para descobrir falsas informações.

Marta CavalliniDo G1, em São Paulo

Informações falsas ou exageradas nos currículos são prejudiciais tanto para o candidato, que acaba sendo desmascarado e eliminado da seleção, como para as empresas, pois tornam os processos seletivos mais demorados e mais caros. Recrutadores ouvidos pelo G1dizem é possível detectar as mentiras na entrevista ou no momento de checar as informações com as referências apresentadas pelo candidato.
O hábito de maquiar qualificações para conseguir uma colocação no mercado de trabalho pode custar até mesmo cargos de alto escalão, como ocorreu no grupo americano Yahoo. No último domingo (13), a empresa comunicou a saída do diretor geral Scott Thompson, após ele ter sido acusado por um dos principais acionistas do grupo de ter incluindo entre as informações um falso diploma em ciências da computação (veja mais informações no vídeo do Bom Dia Brasil acima).

Veja no que os candidatos mais mentem

1º) Formação acadêmica

2º) Fluência em idioma estrangeiro

3º) Falsa experiência na área

4º) Acréscimo de atribuições no cargo anterior

5º) Supervalorização dos últimos cargos

6º) Salário anterior

7º) Tempo de permanência na última empresa

8º) Diploma em curso de informática

9º) Participação em trabalhos voluntários

10º) Garantia de mobilidade e flexibilidade

11º) Estado civil

12º) Idade

Fonte: Trabalhando.com

“Já aconteceu de buscarmos um profissional com inglês fluente e na hora que ele precisou fazer uma entrevista no idioma por telefone com alguém da matriz da empresa não conseguiu se comunicar minimamente. Isso é constrangedor tanto para o entrevistador quanto para o próprio candidato”, afirma Renato Grinberg, diretor-geral da Trabalhando.com e autor do livro “A estratégia do olho de tigre”.

Segundo ele, mentir pode trazer problemas graves para o entrevistado. “Em alguns casos um recrutador pode aprovar um candidato que não tenha todas as qualificações exigidas para a vaga com a ideia de que ele possa desenvolver tal habilidade. Porém, se descobrir uma mentira, esse candidato será não só eliminado do processo seletivo em questão, mas de qualquer outro processo daquela empresa”, explica.

De acordo com pesquisa realizada pela Trabalhando.com, as mentiras que os candidatos mais contam se referem aos seguintes assuntos, em ordem decrescente de importância: formação acadêmica, fluência em idioma estrangeiro, falsa experiência na área em que deseja atuar, acréscimo de atribuições no cargo anterior, últimos cargos supervalorizados, salário anterior, maior tempo de permanência na antiga empresa, curso de informática, participação inexistente em trabalhos voluntários, garantia de mobilidade e flexibilidade, estado civil e idade.

Outra pesquisa, realizada pela empresa de recrutamento especializado Robert Half, revela que para 42% dos executivos responsáveis por recrutamentos, os candidatos exageram nas informações do currículo. As experiências profissionais atuais e anteriores apresentam o maior índice de exagero nas informações (48%). Os outros pontos nos quais os candidatos mais exageram são o conhecimento de línguas (46%) e as razões de deixar o trabalho atual/antigo (42%). Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que o primeiro ponto de atenção dos executivos ao receber um currículo recai sobre a experiência profissional (36%), seguido das qualificações profissionais (29%).

Selo de autenticidade
De olho no “mercado de informações falsas em currículos”, uma empresa criou um selo de autenticidade. A empresa de recursos humanos Currículo Autêntico, especializada em auditorias de títulos e competências de currículos, utiliza uma ferramenta de apuração para verificar se as informações fornecidas são verdadeiras. Por enquanto, o serviço é oferecido apenas a candidatos interessados em obter o selo de autenticidade para seus currículos.
Eles se cadastram no site, submetem o currículo ao processo de auditoria, disponibilizam os documentos que comprovam os títulos, indicam os nomes e telefones que chancelam as competências. Mas o serviço é pago: R$ 99 pela autenticação, válida por um ano. Por cada atualização durante este ano, o candidato paga R$ 12,90. Os sociofundadores são filiados à Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional do Rio de Janeiro.

“De cada dez currículos que chegam às empresas, quatro têm informações supervalorizadas e outros dois têm dados falsos. Se um currículo é autêntico tem prioridade e economiza tempo e dinheiro às empresas”, diz o sociofundador Leonardo Rebitte. A empresa pretende futuramente oferecer o serviço para as empresas, auditando os currículos recebidos.

Veja o ranking das mentiras mais comuns e como elas podem ser desmascaradas

1 – Idiomas
Alguns profissionais entendem que colocar a língua estrangeira no currículo é essencial para serem chamados para a entrevista. Mas um simples teste oral na hora da entrevista ou logo nos primeiros meses após ser contratado revelam a mentira.

2- Cursos
Profissionais citam cursos que foram realizados dentro da empresa onde trabalhavam, porém, ao buscar evidências, seja através de certificados ou entrando em contato diretamente com a empresa citada, nota-se que não foi bem assim.

3- Formação
É comum a colocação de títulos de graduação ou pós-graduação concluídos, quando na verdade os cursos ainda estão sendo realizados ou foram trancados. O que não é muito comum, mas também ocorre, é a falsificação de títulos e certificações. Ao checar as informações com as instituições de ensino, constata-se a mentira.

4- Competências
Muitos profissionais supervalorizam qualidades e atribuições como “coordenei e gerenciei recursos e fornecedores”, mas na verdade participavam apenas como convidados ou ouvintes. Um telefonema para a antiga empresa revela que não é verdade.

5- Período em que trabalhou para a empresa
É unânime entre recrutadores olhar quanto tempo um profissional permaneceu em uma determinada empresa para saber se trata-se de um profissional problemático ou assediado por outras empresas, seja por maiores salários ou novos desafios. No ponto de vista dos profissionais, mentir sobre o tempo que dedicou a uma única empresa é sinônimo de estabilidade, logo, pode ser visto como uma pessoa não problemática. Mas isso pode ser checado com a antiga empresa.

6- Motivos de saída da empresa
Para o recrutador, conhecer o motivo pelo qual um profissional saiu da empresa é relevante para entender os objetivos e personalidade do candidato. O que geralmente acontece é o profissional ter sido demitido, e na entrevista, diz que saiu por livre e espontânea vontade. Mas isso pode ser checado com a antiga empresa por meio de um telefonema.

7- Salários
“Vou jogar o valor para cima para cair na hora da negociação”. Os profissionais precisam entender que o currículo é cronológico e leva consigo o histórico da vida profissional, não adianta mentir sobre o quanto ganhava na empresa anterior se o salário não constar em carteira. Os recrutadores entram em contato com o RH que o contratou anteriormente.

8- Referências
Referências são utilizadas para checar a veracidade das competências que estão no currículo. Mas geralmente essas referências são amigos de trabalho ou parentes, o que enfraquece como prova, pois pode ter sido previamente combinado. As empresas podem entrar em contato com o setor de recursos humanos da empresa antiga ou pesquisar referências em sites de carreira como o LinkedIn.

9- Endereço
Algumas empresas têm preferência por regionalizar seus profissionais para reduzir custos. Sabendo disso, alguns profissionais adquirem serviços em casa de amigos e parentes para obter um comprovante de endereço que seja aceito pela empresa. Mas a mentira pode vir à tona após a contratação do empregado e causar sua demissão.

10- Idade, filhos e estado civil
Os profissionais entendem que algumas empresas com cargos que demandam viagens nacionais e internacionais preferem e priorizam certos tipos de perfil. Mas documentos pessoais podem desmentir as informações fornecidas.

Fonte: Currículo Autêntico

Ana Guimarães, gerente da divisão de mercado financeiro da Robert Half, diz que o entrevistador não desconfia de tudo que é falado durante a entrevista, mas os exageros e as mentiras podem ser flagrados nas respostas dos candidatos. “Se perguntamos a carteira de clientes e a pessoa não sabe dizer, algum problema tem, se fala que é um bom líder e não sabe dar exemplos de ações estratégicas, dificilmente ele seria um bom gestor, se a vaga exige inglês e ele não sabe desenvolver uma conversa no idioma, já sabemos que não é fluente”, exemplifica.

De acordo com ela, dependendo da vaga a ser preenchida, os exageros e as mentiras descobertos na entrevista costumam eliminar os candidatos tanto quanto a falta de qualificação.

“Os exageros são fatores cruciais na eliminação do candidato. Querer se vender demais, dizer que faz e acontece causam desconforto na entrevista. E tudo é checado. Além disso, o corpo fala, dá para perceber a mentira pela tensão, movimentação maior na cadeira, a postura, as mãos inquietas. A pessoa que não tem nada para esconder conta tudo de forma espontânea”, afirma.

Ela diz que não há nenhum tipo de exclusão pelo currículo. “Nós olhamos principalmente a formação acadêmica, a experiência e o tempo de estabilidade nas empresas”, diz. Segundo ela, se o currículo mostra que o candidato pulou muito de uma empresa para outra em pouco espaço de tempo “acende a luz amarela”. “Aí na entrevista vamos verificar o motivo de transição entre as empresas e pedimos referências para comprovar as informações repassadas”, diz.

Ana afirma que é possível ainda verificar a veracidade de cursos realizados pelo tempo de duração e também pela idade do candidato, por exemplo. “Vale mais colocar no currículo uma pós-graduação ou um MBA bem feitos do que 10 cursos que não agregam muito. Tem que deixar o currículo com qualidade”, diz Ana.

Soluções recomendadas
Renato Grinberg orienta que o candidato deve buscar suprir a deficiência que ele julgou ter em seu currículo em vez de mentir. “Imagine que as vagas para as quais você concorre requeiram inglês fluente, mas você só sabe o básico. Colocar no currículo que possui conhecimento avançado não é uma boa ideia, pois será desmascarado facilmente pelo entrevistador. Você não poderá colocar essa falsa informação a vida inteira, então encare isso como uma oportunidade que bate à sua porta. Faça o curso e dedique-se”, diz.

Outra dica de Grinberg é ressaltar os pontos mais relevantes no currículo, adaptando-o para cada vaga. Caso o emprego seja para vendas, por exemplo, e a maior qualidade seja relacionamento interpessoal ou habilidade de persuasão, essa é a primeira coisa que deve ser destacada no resumo profissional, abaixo dos dados pessoais. “Mesmo que não tenha experiência, deixe claro que tem força de vontade e capacidade para tal”. Segundo ele, se o candidato achar que a pós-graduação é mais relevante para o cargo do que a experiência em outra área, o curso deve vir primeiro, após o tópico formação profissional.

Horário da refeição influencia mais no ganho de peso do que a comida

Risco de obesidade diminuiu em ratos que comiam em hora marcada.
Alimentação aleatória pode alterar metabolismo de produção de glicose.

Do G1, em São Paulo

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Quando se está ganhando peso, o horário que você come é tão ou mais importante do que o tipo de comida escolhida. Essa é a conclusão de um estudo divulgado nessa semana na revista científica “Cell Metabolism”.

Ao separarem dois grupos de camundongos, um que comia alimentos gordurosos por até oito horas por dia, e outro que fazia a mesma dieta sem restrição de horário, os pesquisadores perceberam que os primeiros corriam menos risco de obesidade e de ter doenças metabólicas.

A observação concluiu que há uma incompatibilidade entre o relógio biológico e horário desregrado da alimentação.

“Cada órgão tem um relógio. Isto é, há momentos que órgãos como fígado e instestino têm picos de eficiência e depois ficam mais lentos”, afirma o autor do estudo Satchidananda Panda, do Instituto Salk de Estudos Biológicos, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Chamada de ciclos metabólicos, essas oscilações são essenciais para os processos de quebra de colesterol para produção de glicose, que são ativados ou desativados quando comemos ou não. Quando camundongos ou pessoas comem durante todo o dia e noite, os ciclos metabólicos podem sofrer alterações.

“Quando comemos aleatoriamente, os genes não estão totalmente ativados ou não desligam completamente. O príncipio é o mesmo com o sono e a vigília. Se não dormirmos bem à noite, não estamos completamente acordados durante o dia, e, consequentemente, trabalhamos de forma menos eficiente”, afirma Panda.

Pelas experiências do estudo, os camundongos que comiam uma dieta rica em gordura, em tempo restrito, mostraram melhoras no ritmo fisiológico, ganharam menos peso e sofreram menos danos no fígado do que os que comiam o dia todo.

Em PE, escola aposta em iniciação científica para mudar futuro de jovens

Colégio em Paudalho, na Zona da Mata, aderiu ao ensino médio inovador.
Programa do MEC aumenta carga horária e propõe currículo diferenciado.

Luna MarkmanDo G1 PE

Ser forneiro em olaria ainda é a melhor profissão que muita gente nascida em Paudalho, na Mata Norte de Pernambuco, distante cerca 40 km do Recife, acha que pode alcançar. Fora as fábricas de cerâmica, marcas do município, os trabalhos temporários, sem carteira assinada, são a outra opção. A triste perspectiva de futuro vem mudando aos poucos entre os alunos de uma pequena escola estadual que encarou o grande desafio de aderir ao programa Ensino Médio Inovador, do Ministério da Educação (MEC). Apostando na iniciação científica, os estudantes estão cada vez mais atraídos pelos estudos e abriram a cabeça para novas possibilidades de carreira.
O G1 foi conhecer a Escola Estadual Monsenhor Landelino Barreto Linse, localizada na Vila Asa Branca, que passou a integrar o programa em 2010, junto com outros 15 colégios em todo o estado, a convite da Secretaria Estadual de Educação. Em linhas gerais, o objetivo dessa modalidade de ensino é que os alunos passem mais tempo na escola, aproveitando um currículo diferenciado do ensino médio regular, tornando as aulas mais atraentes e diminuindo a evasão. Assim, fora os cinco turnos normais de aula, em uma semana, os estudantes têm disciplinas extras em outros horários.

Ensino Médio Inovador - Pernambuco - Isak de Castro (Foto: Luna Markman / G1)Isak de Castro repetiu a série 3 vezes, mas se descobriu no caminho da pesquisa científica e já ganhou prêmio em grupo de estudos da Universidade de São Paulo (Foto: Luna Markman / G1)

Mas quais disciplinas? “Não existe uma receita de bolo do MEC. Primeiro, a gente ouve o que os alunos desejam aprender e os professores analisam as propostas, tendo como base os quatro eixos de trabalho [cultura, trabalho, ciência e tecnologia]. A grande diferença para o ensino médio regular é essa chance de construir um currículo sem imposições, pensada em nossa realidade acadêmica e sociocultural”, explica a diretora da unidade, Angela Borba.

A iniciação científica foi escolhida como uma espécie de âncora do programa. As outras disciplinas são criadas a fim de prover conteúdo para as pesquisas desenvolvidas. Então, em dois dias na semana, de acordo com a série, os estudantes têm aulas de práticas teatrais e sustentáveis; linguagem e cultura; educação e saúde; atualidades e cultura digital; e comunicação e uso de mídias. “Nosso objetivo principal é despertar a consciência crítica e o protagonismo juvenil. Vestibular e mercado de trabalho são consequências”, defende o professor Aluízio Medeiros da Silva Filho, que coordena um dos grupos de pesquisa.

O exemplo da escola Monsenhor Landelino Barreto Linse ainda é isolado dentro do quadro da educação pública em Pernambuco. Considerando o ranking de desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, entre as cem escolas melhores colocadas de Pernambuco, apenas 8 unidades de ensino são públicas – e nem mesmo a Monsenhor Landelino Linse está entre elas. Isso porque apenas 14,4% dos alunos do terceiro ano de lá fizeram a prova e o resultado final não foi computado por baixa participação.

‘Não tinha vontade de estudar’

Isak de Castro, 19 anos, é um dos cinco alunos que recebem bolsa de iniciação científica. A novidade representa uma mudança brusca na vida de quem repetiu três vezes de ano e fazia de tudo para faltar aula. “Na minha antiga escola tinha muita gente na sala, o professor não tirava minhas dúvidas. Então, não tinha vontade de estudar, nem de ler eu gostava. Quando entrei no Médio Inovador e escutei o professor falando de cultura e religião, foi chocante. Pensei: ‘esse cara tem que ser seguido’. Estou empolgado fazendo pesquisa, aproveitando todas as atividades da escola e decidi que quero fazer história”, contou.

Essa empolgação toda tem rendido frutos. Ano passado, Isak ganhou o primeiro lugar do Grupo de Estudos História da Educação e Religião, da Universidade de São Paulo, dentro do prêmio Ciência Jovem, com um trabalho de resgate da trajetória política de Paudalho – a base foi uma extensa pesquisa em arquivos para entender as lacunas deixas pela história oficial. O jovem é um orgulho para a mãe Edilene Oliveira. “Não terminei os meus estudos, desisti na 5ª série, e não queria que ele seguisse o meu exemplo. Andava muito preocupada, mas agora estou tranquila com o incentivo que ele recebe da escola. Sei que ele está no caminho certo”, diz.

Ensino Médio Inovador - Pernambuco - Marinalva de França (Foto: Luna Markman / G1)Após 15 anos, Marinalva de França criou coragem e voltou à escola (Foto: Luna Markman / G1)

‘Não me sentia atraída por nada’
Desistir de estudar ainda é comum em escolas de Paudalho. Entre as mulheres, a causa mais recorrente é a gravidez. Isso aconteceu com Deize Lopes: aos 22 anos, engravidou e abandonou os estudos na 5ª série. “Na época, estudava aqui. Além de ter filho, também não me sentia atraída por nada, não participava de nada. Agora parece outro colégio”, conta. Deize fez uma pesquisa sobre a memória da Igreja do Desterro, localizada no povoado de Desterro, junto com Marinalva de França, 54 anos, colega de sala no turno da noite.

Marinalva também se afastou do colégio por causa da maternidade e, depois, para cuidar dos netos. O longo intervalo dos livros durou 15 anos. “No começo, fiquei com medo de não acompanhar a turma, mas os professores me ajudam, meu marido me incentiva. Sou a vovó da classe. E tenho neto estudando aqui também. Então, me sinto renovada. Isso é sonho. Já tive aula de fotografia, pesquisa, conheci [Ricardo] Brennand, fui à Bienal [do Livro]”, enumera.

Os depoimentos dos alunos são reforçados com números. Em 2009, o índice de evasão na Monsenhor Landelino era de 35%. Em 2011, caiu para 4%. No mesmo período, o percentual de reprovação diminuiu de 12% para 3%. Outra vitória foi em relação ao vestibular. “Antes, eles nem se inscreviam. Achavam que universidade era para gente do Recife, que seu futuro era na olaria. A baixa estima na comunidade era muito grande. Aceitamos o programa para tentar mudar essa realidade. Hoje, eles têm projetos de vida. Os sete que fizeram vestibular ano passado conseguiram uma vaga”, falou a diretora Angela Borba.
Mudança positiva
As experiências vividas na escola também têm refletido entre os moradores de Paudalho. A disciplina Práticas Sustentáveis, por exemplo, ensina o cultivo de hortas orgânicas, cujos alimentos contribuem para uma merenda escolar mais saudável. A ideia foi copiada por vizinhos dos alunos. “Essa é uma forma da gente contribuir com a comunidade onde vivemos”, aponta a professora de biologia Joelma Melo.
Atualmente, 86 escolas aderiram ao Ensino Médio Inovador em Pernambuco. A Monsenhor Landelino recebe cerca de R$ 50 mil do MEC para investir no programa, que atende 400 alunos, do 1º ao 3º ano do ensino médio. O dinheiro é usado em infraestrutura, visitas técnicas, capacitações e material permanente. Com esse recurso foi possível, por exemplo, equipar uma rádio escolar.

Ensino Médio Inovador - Pernambuco - Rúbia Borba e turma de rádio (Foto: Luna Markman / G1)Por causa da experiência com a turma na rádio da escola, Rúbia Borba já conseguiu estágio em uma emissora de Paudalho (Foto: Luna Markman / G1)

Todo dia, 20 minutos de programação vão ao ar. O conteúdo é preparado pelos próprios alunos, acompanhados pela professora de língua portuguesa. O programa tem informações, música, horóscopo. Uma das colaboradoras é Rúbia Borba, 16 anos, que até conseguiu estágio na rádio do município. “Foi massa a experiência”, ressalta. Seu colega de trabalho, Alex Barros, 18 anos, é outro exemplo de como o programa tem rendido mudanças positivas. “Eu só via a escola como obrigação. Hoje, passo a maior parte do dia aqui”, pontua o jovem, que também é monitor de informática no projeto Escola Aberta, aos sábados – nas unidades que fazem parte do Escola Aberta, as escolas passam a funcionar, nos finais de semana, como espaços alternativos para atividades que buscam ampliar o aprendizado regular.

Boa gestão em educação dá efeito maior do que dinheiro, diz professor

Todos pela Educação promoveu discussão sobre financiamento.
Dados mostram diferença de investimento no Brasil e países da OCDE.

Vanessa FajardoDo G1, em São Paulo

Professor Amaury Gremaud falou sobre financiamento na educação (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)Amaury Gremaud falou sobre financiamento na educação (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

O professor Amaury Patrick Gremaud, da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), disse que o efeito de uma boa gestão é maior do que o de um grande investimento na educação pública brasileira. Segundo o professor, ainda é preciso lutar por mais dinheiro, porém uma melhora da gestão dos recursos públicos, poderá trazer efeitos importantes.

Gremaud participou de uma discussão promovida pelo Movimento Todos pela Educação nesta quarta-feira (16), em São Paulo. Além dele, Paulo Cesar Malheiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) também estava no debate sobre financiamento da educação.

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o investimento do Brasil por aluno é 22% do Produto Interno Bruto (PIB) da renda per capita, enquanto nos países da OCDE, a maioria desenvolvido, como Finlândia, Estados Unidos e Canadá a média de aplicação é de 27%.

O professor lembra que a diferença do índice não é tão grande – de 5% – porém é preciso levar em conta a disparidade entre as rendas do Brasil e dos países do OCDE. Para ilucidar a diferença, Gremaud aponta a média de investimento por aluno em toda a educação, de infantil a nível superior. Enquanto no Brasil, o valor é de 2.416 dólares, nos países do OCDE, o número sobe para 8.961 dólares.

Gremaud disse que o ideal seria o Brasil subir o investimento de 5% do PIB para 7%, pelo menos por um período determinado. Ele afirma que, ao contrário de outros países da OCDE, o Brasil tem “um passado a cuidar e ainda precisa incluir crianças e adolescentes que estão fora da escola”, pois o sistema de ensino não está estabilizado. “Lutar por mais recurso na educação ainda é importante, mas a gestão do dinheiro é mais importante”, diz.

Sobre a melhor forma de gerir os recursos, Gremaud afirma que não há receita já que o Brasil tem regiões muito distintas. “Não há uma resposta única, as políticas públicas têm de atacar vários pontos. O plano de carreira, por exemplo, pode ser importante para um município e não para outro. Os efeitos são diferentes. Esse é um grande problema.”

Investimento
Uma pesquisa divulgada na segunda-feira pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Avançadas (Ipea), indica que para o país incorporar as 3,55 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão fora da escola, segundo dados do Pnad 2009, seriam necessários pelo menos R$ 9,8 bilhões, ou um acréscimo de 0,3% do PIB nacional. Esse montante de recursos seria suficiente apenas para incorporar tal contingente de crianças e adolescentes sob as mesmas condições de ensino oferecidas aos demais estudantes.

Ainda segundo o Ipea, nesse aporte adicional de recursos, não estão incluídos os investimentos que seriam demandados para a implantação de novas escolas, salas de aula e demais instalações necessárias ao atendimento daqueles que não pudessem ser incorporados por meio da infraestrutura existente.

Metas
O Todos Pela Educação é um movimento financiado pela iniciativa privada, que reúne sociedade civil organizada, educadores e gestores públicos que tem como objetivo contribuir para que o Brasil garanta a todas as crianças e jovens o direito à educação básica de qualidade. O movimento elegeu 2022, ano em que se comemora o bicentenário da Independência do Brasil, como data limite para o cumprimento de cinco metas monitoradas a partir da coleta sistemática de dados e da análise de séries históricas dos indicadores educacionais. Elas servem como referência e incentivo para que a sociedade acompanhe e cobre a oferta de educação de qualidade para todos. São elas:
Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3: Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
Meta 4: Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos
Meta 5: Investimento em Educação ampliado e bem gerido

MEC amplia currículo alternativo para tirar ensino médio público da crise

Reprovação é a mais alta desde 1999, segundo divulgou Inep nesta semana.
Projeto propõe adoção de disciplinas regionais e aumento de carga horária.

Vanessa Fajardo*Do G1, em São Paulo

Ensino médio arte (Foto: Editoria de Arte/G1)

Neste ano, 1.660 escolas da rede pública aderiram ao Programa Ensino Médio Inovador (Proemi), criado em 2009 pelo Ministério da Educação com o objetivo de reformular uma das mais problemáticas etapas do ensino. No total, segundo o Ministério da Educação, o programa passou a atender 10% das escolas públicas com ensino médio, o que representa uma adesão de 2.015 unidades nos 27 estados.

Em 2011, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a taxa de reprovação no ensino médio foi de 13,1%, o maior índice desde 1999. Além disso, 9,6% dos estudantes neste ciclo abandonaram a escola – no primeiro ano do ensino médio, a taxa de abandono foi de 11,8%. As taxas de reprovação e abandono no ensino fundamental foram de 9,6% e 2,8% no mesmo período, respectivamente.

O Proemi é uma tentativa do governo de desatar o grande “nó” da educação pública do país. Os problemas encontrados desde as primeiras séries do ensino fundamental vão se acumulando ao longo dos anos e transformam o ensino médio em um grande ‘gargalo’. Com um extenso conteúdo espremido em três anos letivos, o ensino médio apresenta alto índice de evasão escolar, alunos acima da idade adequada na série e baixos índices de proficiência em matérias básicas como português e matemática (veja ao lado).

A reportagem do G1 visitou escolas no Distrito Federal e em Pernambuco que aderiram ao ensino médio inovador, se destacam por seus trabalhos e se tornaram uma exceção entre as escolas públicas.

Sala de ginástica da escola Setor Leste, melhor pública do DF no Enem (Foto: Jamila Tavares/G1)Sala de ginástica da escola Setor Leste, melhor pública do DF no Enem (Foto: Jamila Tavares/G1)

Na cidade de Paudalho, na Zona da Mata de Pernambuco, a Escola Estadual Monsenhor Landelino Barreto Linse, localizada na Vila Asa Branca, transformou a realidade da comunidade. Os estudantes passaram a ter aulas de práticas teatrais e sustentáveis; linguagem e cultura; educação e saúde; atualidades e cultura digital; e comunicação e uso de mídias.

No Distrito Federal, a escola Setor Leste possui ensino integral e oferece aulas para que os alunos tirem dúvidas no contraturno. Os alunos têm aulas de circo, dança, ginástica olímpica, natação, inglês, francês e espanhol. No programa desde 2010, a Setor obteve o melhor desempenho no Enem de 2011 entre as escolas públicas do DF.

A escola rural Centro de Ensino Fundamental (CEF) Agroubano do Caub I se focou em discussões sobre os 50 anos de Brasília e no resgate da trajetória da Missão Cruls, responsável pela demarcação da área do futuro Distrito Federal.

O Programa Ensino Médio Inovador prevê oferecer disciplinas alternativas e aumentar a carga horária para tornar a escola mais atraente. Para fazer parte do programa, as unidades têm de fazer uma proposta de oferecer disciplinas que variam de acordo com as especificidades da região e estejam dentro de quatro campos de conhecimento: trabalho, ciência, cultura e tecnologia.

As matérias obrigatórias previstas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação também devem estar no currículo. E é necessário ampliar a jornada escolar para, no mínimo, 3.000 horas para os três anos do ensino médio, ou seja, o mínimo de 5 horas de atividades diárias. Atualmente, pelo currículo tradicional, a lei prevê 4 horas de aulas por dia, sendo pelo menos 2.400 durante todo o ensino médio.

A previsão do ministério é atender mais 4 mil escolas no próximo ano e alcançar 100% delas até 2015. A estimativa de investimento para este ano é de R$ 140 milhões.

Em Uberaba e Ituiutaba, quase 2.500 alunos farão a prova (Foto: Reprodução/ TV Integração)Apenas 11% aprendem o esperado em matemática no ensino médio (Foto: Reprodução)

Evasão e baixo rendimento
Problemas de evasão e baixo aproveitamento no aprendizado são detectados desde o início da educação básica, mas é no ensino médio que a situação atinge níveis alarmantes. A avalanche de conteúdo dos 3 anos do ensino médio perdeu o sentido e não se sabe se o objetivo do ensino médio é preparar para o vestibular ou para o mercado de trabalho. Sem a expectativa de cursar uma universidade e longe de encontrar especialização profissional na escola, muitos adolescentes abandonam os estudos para trabalhar e reforçar a renda familiar.

Segundo dados do Movimento Todos pela Educação coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só metade dos jovens brasileiros conclui essa etapa do ensino na idade esperada (até os 19 anos). Desses, apenas 11% aprendem o considerado ideal em matemática.

Todos os anos, os rankings de desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) revelam o fracasso do ensino médio na rede pública. Em 2010, nenhuma escola estadual ou municipal apareceu entre as 100 primeiras com as melhores notas. As 13 escolas públicas que aparecem no universo das 100 melhores são colégios de aplicação de universidades, militares, escolas federais e técnicas.

Marinalva de França e Deize Lopes, alunas da Escola Estadual Monsenhor Landelino Barreto Linse, em Paudalho (PE) (Foto: Luna Markman/G1)Marinalva de França e Deize Lopes, alunas da Escola Monsenhor Landelino Barreto Linse,
em Paudalho (PE) (Foto: Luna Markman/G1)

Mudanças
Celso João Ferretti, doutor em história e filosofia da educação, do Centro de Estudos de Educação e Sociedade, diz que é favorável à proposta, mas colocá-la em prática não é simples porque não se trata apenas de uma reforma curricular. “É uma mudança da ‘forma de ser’ da escola. Tem de haver uma mudança na formação dos professores, criar possibilidade de mantê-lo na mesma escola, condições que não se encontram na rede pública. Por isso é uma proposta a ser realizada”, afirma.

Para Ferretti, o projeto é interessante pois leva o estudante a ter uma visão mais clara da vida que tem. “A proposta é que os diferentes campos de saberes se articulem para desenvolver uma visão a respeito do mundo, da política, da tecnologia e da economia, entre outros.”

Veja ao lado especial “Globo Educação” sobre ensino médio inovador

Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação, concorda que a mudança vai além do currículo escolar. “É importante resolver o nó do ensino médio. Os resultados de proficiência são muito pequenos e há dez anos não há melhora. Se não houver outro modelo, não será possível aproveitar os avanços dos ciclos anteriores. O ensino médio empaca qualquer outro avanço.”

Priscila aprova o modelo do ensino médio inovador, pois sinaliza para maior flexibilidade, sai do ‘modelo enciclopédico’ com 14 disciplinas obrigatórias que não aprofundam em nenhum tema, mas diz que é necessário ampliá-lo.

“Não dá para fazer mudança sem passar por questões complicadas. Tem de mudar estruturamente, fazer o aluno passar mais tempo aluno na escola, pensar na formação do professor, no currículo. Assim como uma orquestra onde todos os instrumentos tocam bem e harmonicamente, um fortalece e outro, senão a música fica ruim”, diz Priscila.

* Colaboraram Jamila Tavares, do G1 DF, e Luna Markman, do G1 PE

Câmara aprova projeto que torna crime invasão de computadores

Projeto prevê até 1 ano de prisão para quem obtém dados sem autorização.
Texto, de autoria de quatro deputados, segue para votação no Senado.

Nathalia Passarinho e Renan RamalhoDo G1, em Brasília

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) projeto de lei que tipifica no Código Penal delitos cometidos pela internet. O texto prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem invadir computadores alheios ou outro dispositivo de informática, com a finalidade de adulterar, destruir ou obter informações sem autorização do titular.

A proposta agora segue para votação no Senado. A aprovação da matéria na Câmara acontece em meio ao roubo de 36 fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann, que foram parar na internet. A polícia identificou quatro suspeitos de terem roubado as fotos do computador da atriz. Como ainda não há definição no Código Penal de crimes cibernéticos, os envolvidos serão indiciados por furto, extorsão qualificada, e difamação.

O projeto de lei aprovado na Câmara torna crime “devassar dispositivo informático alheio, conectado ou não a rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo, instalar vulnerabilidades ou obter vantagem ilícita.”

A proposta também estabelece pena de até um ano de prisão para “quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde programa de computador” com objetivo de causar dano. O objetivo é punir quem cria e dissemina vírus de computador e códigos maliciosos empregados para o roubo de senhas, por exemplo.

Quando a invasão ocorrer para obter mensagens de e-mails, a proposta prevê pena maior – de seis meses a dois anos, além de multa. A proposta não prevê punição penal para o acesso a sistemas fechados para testes de segurança.

Agravantes
A pena de até um ano de detenção será aumentada de um sexto a um terço se a invasão resultar em prejuízo econômico à vítima. O texto prevê ainda pena de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa “se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais e industriais, informações sigilosas assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido.”

Neste caso a pena aumenta de um a dois terços se houver “divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos, se o fato não constitui crime mais grave.”

O texto prevê que a pena será aumentada à metade se o crime for praticado contra presidente da República, governadores, prefeitos, presidente do Supremo Tribunal Federal, presidentes da Câmara, do Senado e de assembléias legislativas.

Pelo projeto, a ação penal nesse tipo de crime só poderá ter início mediante representação do ofendido, salvo se o crime for cometido contra a administração pública, qualquer dos Poderes da República e empresas concessionárias de serviços públicos.
Lei Azeredo
A proposta foi apresentada no ano passado pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Manuela D’Ávila (PC do B-RS), João Arruda (PMDB-PR), além do suplente Emiliano José (PT-BA) e do atual ministro do Trabalho Brizola Neto (PDT-RJ). A intenção foi substituir projeto apresentado em 1999 que ampliava o leque de crimes cibernéticos e ficou conhecida como Lei Azeredo, por ser relatada pelo deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Essa proposta (PL 84/1999), ainda em tramitação, determina, por exemplo, a guarda e eventual fornecimento, pelos provedores de acesso à internet, do registro da navegação dos usuários, para investigações de delitos.

Os autores da proposta aprovada nesta terça (PL 2793/2011) argumentam que a tipificação penal de delitos deve ser mais restrita e que as mudanças devem ocorrer após a aprovação, pelo Congresso, do Marco Civil da Internet, que amplia garantias e direitos aos usuários.

Na justificativa do projeto, os deputados dizem que a proposta busca oferecer “alternativa equilibrada”  sem “operar a criminalização excessiva e demasiado aberta que permitiria considerar todo e qualquer cidadão como um potencial criminoso em seu uso cotidiano” da internet.

Professor está sobrecarregado com tarefas que são dos pais, diz educador

Marcos Meier dará palestra na Feira Educar, que abre nesta quarta em SP.
Para ele, tecnologia mal utilizada não ajuda em nada a educação.

Ana Carolina MorenoDo G1, em São Paulo

O mestre em educação Marcos Meier (Foto: Divulgação)Marcos Meier, mestre em educação, será palestrante na Educar 2012 (Foto: Divulgação)

A relação entre família, sociedade e escola é o tema da edição deste ano da Feira Educar Educador, que começa nesta quarta-feira (16), no Centro de Exposições Imigrantes, na Zona Sul de São Paulo. O mestre em educação Marcos Meier vai dar a palestra que sintetiza o evento: “Família, sociedade e escola: onde pretendemos chegar?”. Para ele, o professor tem sido obrigado a assumir uma tarefa que é relativa aos pais na educação de crianças e adolescentes.

Ao viajar o Brasil dando palestras para professores, o mestre em educação Marcos Meier, que já foi ele mesmo professor de matemática no Paraná, se deparou com uma tendência preocupante a partir dos depoimentos dos docentes. “O professor, que antigamente tinha tempo para ensinar o currículo, hoje tem que gastar 20 minutos corrigindo a indisciplina do aluno, fazendo-o sentar, pegar o caderno… Um monte de coisas da área da educação básica das famílias não está pronta, e o professor precisa dar conta disso”, afirmou.

Segundo o especialista, o acesso à informação e tecnologia nos últimos anos tem feito com que as relações se modifiquem e os adolescentes de hoje, vivendo em famílias cada vez mais ocupadas e passando horas excessivas do dia com o telefone, o computador e o videogame, não desenvolva os mecanismos de socialização necessários para o convívio pessoal.

As famílias, para Meier, não devem ser divididas em “estruturadas” e “desestruturadas” por causa de sua formação, já que o aumento no número de divórcios tem criado novas relações. Ele defende o enfoque na funcionalidade da família. “Existem famílias com papai, mamãe e filhos que sãp desfuncionais, porque os pais não dão atenção às crianças, e famílias sem o pai, mas em que a mãe faz um trabalho maravilhoso, ou os avós e tios também ajudam”, explicou.

A falta de tempo dos pais, também cada vez mais conectados às tecnologias, faz com que os poucos momentos com os filhos sejam de interação, com brincadeiras, jogos e diversão, e provoca a escassez momentos de intimidade necessários para construir uma relação de qualidade entre eles. O resultado é que as crianças hoje em dia chegam às escolas cada vez mais indisciplinadas, aumentando assim a exigência dos professores para manter a autoridade.

A 19ª Feira Educar/Educador mistura um amplo congresso com educadores com feira de negócios – são mais de 150 empresas expositoras e cerca de 230 palestrantes nacionais e internacionais. A feira vai até sábado (19). Leia a íntegra da entrevista de Meier ao G1.

Feira Educar 2011 (Foto: Divulgação)Feira Educar 2011 (Foto: Divulgação)

Do que se trata o tema geral da Educar 2012?
Eu farei a palestra-tema do evento, “Família, sociedade e escola: onde pretendemos chegar?”. A nossa sociedade hoje está sofrendo transformações muito grandes em termos de acesso à informação e tecnologia, que faz com que as relações se modifiquem. Os adolescentes antigamente se reuniam e ficavam horas dançando ou batendo papo, fazendo festas de garagem. Então eles eram obrigados a aprender a lidar com o cara chato, com o sarna, aquele que incomoda. O adolescente tem a característica de corrigir um ao outro, pegar no pé, isso é muito saudável para desenvolver mecanismos de socialização, a pedir com licença, por favor, desculpa.

E qual a diferença hoje?
Com a tecnologia, ele não tem mais a oportunidade do olho no olho, se não gostou de um cara, ele bloqueia no MSN [mensageiro instantâneo], na sala de bate-papo. O adolescente não está mais acostumado a aceitar crítica, ele fica frágil, não suporta as críticas. Isso faz também com que, na escola, o professor que exija um pouco mais é mal visto. O adolescente reclama, acha ruim, não está acostumado a receber esse tipo de cobrança do professor que pega no pé.

Como a família influencia esse comportamento?
A indisciplina tem aumentado bastante justamente por causa do tempo. As crianças estão cada vez menos sob orientação de um adulto. O pai dificilmente tem tempo para ficar com os filhos, a mãe trabalhando fora ainda tem todas as atividades da casa. Então ela tem momentos de interação, mas não tem momentos de intimidade. Tem aquela hora de fazer bagunça, e eles deixam regras de lado, ninguém quer pegar no pé do filho porque são tão poucos minutos para ficarem juntos. Então não tem qualidade essa relação. E esse estilo cada vez mais descomprometido tem efeitos na escola também.

Que efeitos?
As crianças, que deveriam estar aprendendo a ter educação com os pais, acabam chegando na escola totalmente indisciplinadas, batendo e xingando em vez de conversarem. O professor, que antigamente tinha tempo para ensinar o currículo, hoje tem que gastar 20 minutos corrigindo a indisciplina do aluno, fazendo-o sentar, pegar o caderno… Um monte de coisas da área da educação básica das famílias não está pronta, e o professor precisa dar conta disso. De uma aula de 40 ou 50 minutos que poderia estar sendo muito bem aproveitada com conteúdo, 20 minutos com certeza estão sendo jogados no lixo. Isso vai irritando tanto o professor, que depois não tem paciência na hora de explicar o assunto. Ele está sendo exigido além da conta, o professor foi preparado para ensinar currículos escolares, não para dar a educação que a família antigamente ensinava.

A falta de interesse dos alunos na escola também não têm a ver com o abismo de gerações, já que os professores são muito menos adeptos das novas tecnologias?
É bom que professores aprendam a usar as novas tecnologias, mas temos um mito que é o seguinte: a gente acha que o aluno que usa computador e internet está aprendendo mais, mas quando passa um trabalho ou pesquisa para ele, o aluno não sabe filtrar informação na internet, o que aparecer no google eles colocam no trabalho deles. Não viram se era pegadinha, se o site tem autoridade. Eles acham que fizeram a pesquisa por colocar informações numa página, às vezes nem leram com atenção.

Esse é um problema generalizado?
Tem o outro lado, temos sim escolas com nível de educação de primeiro mundo, temos pesquisas na área da educação, da relação professor-aluno, suficientes para poder dar palestra a professores da Europa sobre como dar aula. O problema é que esse conhecimento que as boas escolas têm não chega a todas as escolas. Enquanto algumas escolas do Sul estão discutindo se usam lousa digital de uma ou outra marca, outras estão emendando quadro negro com cartolina porque ele está rachado.

Absorver a tecnologia é inevitável para a escola?
Tem escola hoje que proíbe que professores tenham Facebook porque alunos falam mal do professor e da escola lá. Por outro lado, tem escola incentivando que o professor tenha Facebook, que coloque os alunos como amigos para trocar informações e tirar dúvidas. Você pode usar a tecnologia a favor da aprendizagem ou vê-la como uma ameaça à escola. Mas esse tipo de visão retrógrada vai ter que desaparecer.

O que falta para isso acontecer?
Hoje temos uma problema que é a falta de softwares de qualidade para a escola. Tem software que o aluno dá um clique, vira uma página, dá outro clique, vira outra página. Aquilo nada mais é do que um livro em formato digital, mas o grau de interatividade é zero. Tem que tomar muito cuidado ao levar o aluno para o laboratório de informática. Às vezes é perder tempo com o computador, é melhor pegar um professor apaixonado por aquilo que ensina do que usar um software com baixo grau de interatividade. Isso em psicologia a gente chama de postura passivo-aceitante, é como a criança na frente da televisão, só recebe informação. Tem muito professor que coloca o aluno nessa postura, e também tem muito software que segue o mesmo caminho. A chave é a interação do aluno com o conhecimento. Pode ser no computador, sozinho ou com o professor em sala de aula. Desde que haja espaço para interagir com o conhecimento, é isso que precisa acontecer para o aluno aprender.

Portaria que define documentos secretos do Estado é publicada

Objetivo é ‘controlar o acesso e a divulgação de informações sigilosas’.
Nova Lei de Acesso à Informação entra em vigor nesta quarta (16).

Do G1, em São Paulo e em Brasília

Foi publicada no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira (16) uma portaria que define os tipos de documentos considerados secretos pelo Estado. O objetivo, segundo o texto, “é controlar o acesso e a divulgação de informações sigilosas” com o advento da nova Lei de Acesso à Informação.

A lei, que começa a valer nesta quarta, obriga órgãos públicos a prestarem informações sobre suas atividades a qualquer cidadão interessado. O projeto é de iniciativa do Executivo e vale para todo o serviço público do país.

A portaria publicada no Diário Oficial, no entanto, exclui alguns documentos, dado “seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado” (veja lista no final da reportagem). Ela é assinada por Renato da Silveira Martini, diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, autarquia vinculada à Casa Civil da Presidência.

Confira abaixo perguntas e respostas sobre a nova lei, de acordo com o texto da legislação e informações da Controladoria-Geral da União (CGU):

O que é a Lei de Acesso à Informação?
A  lei 12527/2011, a chamada Lei de Acesso à Informação, obriga órgãos públicos federais, estaduais e municipais (ministérios, estatais, governos estaduais, prefeituras, empresas públicas, autarquias etc.)  a oferecer informações relacionadas às suas atividades a qualquer pessoa que solicitar os dados.

Como a lei será implantanda, na prática?
A lei determina que os órgãos públicos criem centros de atendimento dentro de cada órgão chamados de SICs (Serviços de Informação ao Cidadão). Esses centros precisarão ter estrutura para atender e orientar o público quanto ao acesso a informações de interesse coletivo como, por exemplo, tramitação de documentos, processos de licitações e gastos públicos.

O que a lei exige dos órgãos públicos na internet?
A Lei de Acesso à Informação estabelece também que as entidades públicas divulguem na internet, em linguagem clara e de fácil acesso, dados sobre a administração pública. Devem constar, no mínimo, registro das competências e estrutura organizacional, endereços e telefones das respectivas unidades e horários de atendimento ao público. Também devem ser publicados registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros e informações sobre licitações, inclusive os editais e resultados. A lei exige ainda que fiquem expostos na internet dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras do governo, além de respostas a perguntas mais frequentes da sociedade. As informações devem ser mantidas sempre atualizadas. Apenas os municípios com menos de 10 mil habitantes estão desobrigados a apresentar em um site na internet os dados sobre as operações municipais. No entanto, os órgãos desses pequenos municípios são obrigados a prestar informações sempre que solicitadas.

Quem poderá solicitar informações?
Qualquer pessoa pode pedir dados a respeito de qualquer órgão da administração pública.

É preciso dar razões para o pedido?
Não é preciso apresentar nenhum tipo de justificativa para a solicitação de informações.

Quais informações poderão ser solicitadas?
Não há limites para as informações a serem solicitadas. Podem ser requisitadas quaisquer informaçôes a respeito de dados relativos aos órgãos públicos. Será possível, por exemplo, perguntar quanto um ministério ou secretaria gastou com salários de servidores, com obras públicas, andamento de processos de licitação, detalhes sobre auditorias, fiscalizações e outras.

E se o órgão público não atender ao pedido?
Se o órgão não puder prestar as informações, terá de apresentar uma justificativa. Se o cidadão não aceitar a justifificativa, pode entrar com recurso no próprio órgão. Se ainda não conseguir, pode apresentar outro recurso à Comissão Mista de Reavalização de Informações, instituída pela lei. A comissão vai avaliar o sigilo de dados públicos e as justificativas apresentadas pelo órgão público para não prestar as informações solicitadas. Se entender que a informação pode ser divulgada, a comissão acionará o órgão para que atenda ao pedido do cidadão.

Há informações que não podem ser fornecidas?
Não serão prestadas aos cidadãos informações consideradas sigilosas, tais como assuntos secretos do Estado, temas que possam colocar em risco a segurança nacional ou que comprometam atividades de investigação policial. Dados de casos que corram em segredo de justiça também não serão divulgados, assim como informações pessoais dos agentes públicos ou privados. Nesses casos, o órgão é obrigado a justificar o motivo para não fornecer o dado.

Por quais meios as informações poderão ser solicitadas?
As informações poderão ser solicitadas nos Serviços de Informações ao Cidadão (SICs), que serão instalados em cada órgão público. A lei também determina que seja concedida ao cidadão a opção de solicitar os dados pela internet. Outros meios, como carta e telefone, vão depender dos sistemas adotados por cada órgão.

As informações vão ser prestadas sempre por meio de documentos impressos?
Depende de como o órgão tiver armazenado os dados. Nos casos de arquivos digitais, o cidadão poderá obter as informações em um CD ou outra mídia digital. Se houver necessidade de impressão de um volume elevado de papéis, o cidadão pagará o custo.

Como tramita, dentro do órgão público, o pedido de informação?
Se o órgão tiver a informação ao alcance imediato, o pedido poderá ser atendido no momento em que for feito pelo cidadão, nos SICs. Se houver necessidade de pesquisa, o órgão tem 20 dias, prorrogáveis por mais 10, para atender à demanda. O cidadão será avisado por telefone ou pela internet. Depois desse prazo, o agente público tem que justificar o motivo da não prestação das informações.

Qual será a punição para servidores que não atenderem aos pedidos?
Servidores públicos que não prestarem as informações solicitadas e não apresentarem justificativa legal poderão sofrer sanções administrativas e até ser processados por improbidade.

ONGs (Organizações Não-Governamentais) também estão sujeitas à lei?
As entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos para a realização de ações de interesse público e que tenham parceria ou convênios com o governo devem divulgar informações sobre o dinheiro recebido e sua destinação.

Veja os documentos considerados sigilosos pelo Estado:
Papéis de Trabalho/Auditoria; Relatórios/Auditoria; Conceitos de Risco/ Auditoria; Pareceres/Auditoria; Relação das pessoas que serão detentores partições de recursos criptográficos da AC, com respectivos termos de designação para a função; Relação das necessidades de acesso físico e lógico para cada cargo; Relação de pessoas que possuem acesso às chaves ou componentes de chaves criptográficas da AC com sua respectiva designação formal e atribuição de responsabilidades; Relação do pessoal contratado para a AC/cargo desempenhado e a respectiva documentação; Termos de Designação de Gestor ou Responsável pelos Ativos da AC (ativos de informação e de processamento); Termos de Responsabilidade sobre a segurança física da AC; Termos de responsabilidade contendo descrição dos recursos que os funcionários e detentores de chaves ou componentes de chaves criptográficas deverão devolver à AC no ato de seu desligamento; Inventário dos ativos de processamento da AC e da AR contendo nº do patrimônio, localização física, atividade a ser desenvolvida e agente responsável pela utilização; Inventário de cartões/chaves de acesso às dependências e recursos da AC (em uso ou no cofre); Relação das pessoas autorizadas a ter acesso aos componentes da Infraestrutura da AC (painéis de controle de energia, comunicações, cabeamento etc.); Documentação dos sistemas e dispositivos redundantes que estão disponíveis para garantir a continuidade da operação dos serviços críticos (elétrico, geradores, nobreak, ar condicionado etc.); Documentação dos sistemas que provêm segurança física (alarmes, monitoramento por câmaras de vídeo, proteção contra incêndio e detecção de fumaça, sistemas de controle de acesso físico); Documentação dos Equipamentos de Emergência; Planta baixa da área construída; Topologia das redes de cabos lógicos e elétricos; Documentação técnica da construção de segurança de nível 1, 2, 3, 4, 5 e 6; Relação dos procedimentos e ferramentas usados para controle do envio de equipamentos para manutenção e para controle de entrada e saída de indivíduos em ambiente de nível 3 e 4; Relação dos usuários cadastrados para acesso ao sistema operacional (/etc/passwd); Relação dos recursos da AC que possuem controle de acesso lógico e relação dos procedimentos e ferramentas usados para esse controle; Relação dos funcionários que possuem acesso lógico aos recursos da AC relacionados no item anterior; Relação dos procedimentos e ferramentas que serão usados para detectar e responder a violações de segurança; Sistemas e arquivos da AC sujeitos a backup; Relação dos procedimentos e ferramentas usados para realização de backup dos sistemas e arquivos relacionados no item anterior, e dos controles estabelecidos para guarda das mídias geradas; Relação dos sistemas da AC do qual serão extraídos logs, respectiva periodicidade de extração e forma de guarda dos arquivos gerados; Planilha relacionando os eventos de guarda obrigatórios, definidos no item 4.5.1 da DPC, e os arquivos de log citados no item anterior; Formato dos arquivos de log e descrição dos campos relevantes; Procedimentos previstos para análise dos logs (relatórios ou planilhas elaborados pelo responsável pela atividade) e das ações tomadas em decorrência, no caso de constatação de irregularidades; Relação dos softwares autorizados a estarem instalados nos servidores, estações de trabalho, notebooks e demais equipamentos da AC, com a respectiva versão; Documentação evidenciando que a versão dos softwares utilizados está de acordo com a recomendações dos fabricante; Procedimentos previstos para realização de auditorias internas nos equipamentos e/ou outras providências adotadas para evitar a utilização de softwares não autorizados nos equipamentos da AC relacionados no Inventário de Ativos; Procedimentos previstos para registrar as mudanças de configuração nos sistemas (aplicação de patches, instalação de novas versões, alteração de parâmetros do sistema, etc.); Relação dos arquivos/diretórios dos servidores da AC cuja integridade seja verificada periodicamente; Relação dos procedimentos e ferramentas que serão usados para verificação periódica de
integridade dos arquivos/diretórios relacionados no item anterior; Diagrama topológico atualizado da rede interna e das ligações com redes externas, evidenciando também, caso existam, pontos de conexão para acesso remoto; Relação dos equipamentos, procedimentos e ferramentas usados para prover segurança à rede da AC; Política de segurança aplicada nos equipamentos e ferramentas listados no item anterior (política de senhas, login local/remoto e outros parâmetros de segurança); Relação dos procedimentos e ferramentas que serão usados para publicação da LCR da AC na periodicidade adequada; Análise de Risco com documentação que comprove a participação/conhecimento da alta administração; Plano de Continuidade de Negócios; Plano de Extinção; Procedimentos e scripts de instalação usados para criação da AC; Relação dos procedimentos e ferramentas que serão utilizados para geração, guarda, manuseio e destruição da chave da AC; Manuais contendo procedimentos executados na AC; Documentação técnica dos seguintes sistemas e equipamentos; Documentos gerados pela entidade auditada em tempo de auditoria; Transações (Logs); Sistema (Logs); Segurança (Logs); Imagens de Vídeo (CFTV); Registros de Entrada e Saída de Controle de Acesso; Registro de Alarmes e Eventos Diversas; Registros Telefônicos; Análise de Risco; Avaliação de Risco; Manual de Segurança Patrimonial; Manual de Administração da Autoridade Certificadora; Manual de Administração da Segurança; Manual de Administração do Sistema de Gestão de Certificados (SGC); Manual de Administração de Banco de Dados; Plano de Continuidade de Negócios; Plano de Recuperação de Desastre; Plano de Contingência; Plano de Ação de Resposta a Incidente; Plano de Gerência de Configuração e Mudança; Termo de Admissão; Termo de Desligamento; Termos de Responsabilidade de detentores de CIK; Plano de Treinamento; Manual de Auditoria Interna; Scripts/roteiros de operação; Diagramas da Rede de Computadores; Diagramas da Rede elétrica; Configuração de Equipamento; Especificação Técnica de Hardware; Especificação Técnica de Sistema; Especificação Técnica da Infraestrutura; Configuração de Sistema Controle de Acesso; Chave Privada de Autoridade Certifica Raiz (AC-Raiz); Senha de Operação /Administração de Equipamentos (Hardware); Senha de Operação /Administração do Sistema e Gestão de Certificados (SCG); Senha de Operação /Administração de Sistemas (Software); Senha de Operação /Administração do Sistema de extinção de Incêndio; Senha de Operação /Administração do Sistema de Intrusão; Senha de Operação /Administração do Circuito Fechado de TV; Senha de Operação /Administração do Controle Acesso Físico; Habilitação Jurídica; Laudo de Conformidade; Relatório de Análise Quantitativa e Qualitativa; Ensaios de Conformidade; Código-Fonte de Sistemas; Listas de Tarefas dos Vigilantes -Recepção; Livro de Registro de Destruição de Mídias e Documentos; Livro de Registro de Manutenção de Hardware; Livro de Registro de Presença -CCD – ITI; Livro de Registro de Termos de Cartão de Acesso-CCD; Livro de Registro de Termos de Entrada de Material; Livro de Registro de Termos de Saída de Material; Manual de Administração do Banco de Dados; Manual de Uso das Estações de Trabalho; Manual dos Administradores – CCD; Manual dos Vigilantes – CCD; Planilha de Controle de Cartões de Acesso do CCD; Planilha de Controle de Cds-Bakcup CFTV-CCD; Planilha de Controle de Chaves Mecânicas; Listas de Tarefas dos Vigilantes -Recepção; Livro de Registro de Destruição de Mídias e Documentos; Livro de Registro de Manutenção de Hardware; Sistemas (Logs); Servidores (Logs); Imagens de Vídeo (CFTV); Registro de Incidentes de Segurança; Registros Telefônicos; Base de dados de ferramentas de monitoramento (redes, sistemas, servidores); Documentação da topologia/arquitetura da rede; Arquivos de configuração de Firewall; Arquivos de configuração de Servidores; Arquivos de configuração de Switches; Diagramas da Rede Dados; Diagrama de CFTV; Diagramas da Rede elétrica; Dados de Fitas de Backup; E-mails Institucionais( Serviço de Correio Eletrônico); Arquivos do serviço de armazenamento de dados corporativos (Sistema de Aquivos Dados-ITI); Senha de Operação /Administração de Equipamentos (Hardware); Senha de Operação /Administração de Sistemas e Servidores (Software);Senha de Operação /Administração do Circuito Fechado de TV.

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